Pressionado pela torcida e com o time a um ponto do Z4, Marcelo Paz deixa o cargo de executivo de futebol do Corinthians
Saída foi acertada em reunião com o presidente Osmar Stabile, dez meses depois da chegada do dirigente; clube não anunciou substituto e enfrenta o Vasco no sábado
O Corinthians anunciou na noite de terça-feira (20) a saída de Marcelo Paz do cargo de executivo de futebol. Segundo a nota oficial do clube, publicada por volta das 20h45, a decisão foi tomada depois de uma reunião entre o dirigente e o presidente Osmar Stabile: "as partes decidiram, em comum acordo, pelo fim do ciclo de trabalho do profissional junto ao Clube". O texto termina com o agradecimento de praxe: "O Corinthians agradece os serviços prestados e deseja sucesso na sequência de sua trajetória profissional". Nem Paz nem Stabile deram declarações, de acordo com a Gazeta Esportiva e a Itatiaia.
Ex-presidente do Fortaleza, Marcelo Paz chegou ao Parque São Jorge em dezembro de 2025 para substituir Fabinho Soldado, com contrato até o fim de 2026, e sai depois de cerca de dez meses. Sob sua gestão, o clube contratou Gabriel Paulista, Jesse Lingard, Zakaria Labyad, Allan, Kaio César e Matheus Pereira, lista publicada pelo Times Brasil, e renovou com Memphis Depay até julho de 2028, segundo o Bolavip. Desde maio, porém, o Corinthians está impedido de registrar reforços por causa de punições da Fifa, e o Bolavip informa que Paz deixa o clube com três transfer bans ativos e salários em atraso.
O desgaste vinha se acumulando. O Bolavip lista decisões da presidência que contrariaram o departamento de futebol: Stabile barrou, em fevereiro, a venda do volante André ao Milan, negócio que poderia chegar a R$ 104 milhões; interrompeu o empréstimo de Alisson, do São Paulo, depois de uma reavaliação financeira; e travou a negociação com Kayky, do Bahia. Paz defendeu publicamente Fernando Diniz em setembro, mas o técnico foi demitido em 7 de outubro, depois da derrota por 2 a 1 para o Internacional, e o executivo teve papel decisivo na escolha do holandês Clarence Seedorf, o que aumentou a pressão interna sobre ele.
A cobrança das arquibancadas foi direta. Na sexta-feira (16), faixas pedindo a saída do dirigente foram colocadas em frente ao Parque São Jorge; na segunda-feira (19), depois do empate por 1 a 1 com o Vitória na Neo Química Arena, a torcida voltou a gritar contra ele, e representantes da Gaviões da Fiel se reuniram com Stabile para pedir mudanças no futebol, relata o Times Brasil. O Bolavip acrescenta que as críticas do zagueiro Gabriel Paulista à falta de proteção da diretoria ao elenco, depois da goleada sofrida no Dérbi, também pesaram, num ambiente político agitado pela eleição presidencial marcada para 28 de novembro.
Dentro de campo, o cenário explica a urgência. O Corinthians está há nove jogos sem vencer no Brasileirão, com oito derrotas e um empate, e é o 16º colocado, com 33 pontos, só um à frente do Internacional, primeiro time da zona de rebaixamento. Seedorf comanda os treinos, mas ainda espera o visto de trabalho para ser registrado no BID da CBF e ficar à beira do campo; contra o Vitória, viu o jogo da tribuna enquanto o auxiliar Léo Porto dirigia a equipe.
O clube não indicou quem assume a função. Segundo a Gazeta Esportiva, a diretoria ainda não decidiu se contrata um novo executivo ou se deixa o cargo vago até o fim do mandato de Stabile, em dezembro; uma possibilidade é o gerente de futebol Julio César acumular as tarefas. O próximo compromisso é o confronto direto com o Vasco, 15º colocado com 35 pontos, no sábado (24), às 18h30, em São Januário, pela 32ª rodada. Depois, o time recebe o Mirassol no dia 30, na Neo Química Arena.
Informações de Gazeta Esportiva, Itatiaia, Bolavip e Times Brasil.