Cuiabá paga R$ 5,5 milhões a Petit, derruba o transfer ban da Fifa e cobra R$ 45 milhões de outros clubes brasileiros
Clube mato-grossense volta a poder registrar jogadores; presidente Cristiano Dresch cita dívidas de Corinthians, Santos, Grêmio, Sport e Atlético-MG e pede pressa à CNRD
O Cuiabá anunciou nesta quinta-feira (15), em nota oficial, que quitou integralmente a dívida com o técnico português Petit e com a comissão técnica dele, no valor aproximado de R$ 5,5 milhões, em cumprimento a uma decisão da Fifa. Com o pagamento, segundo o clube, caiu o transfer ban, a punição que impedia o registro de novos jogadores. O comunicado foi publicado à tarde e repercutido pelo Só Notícias, pela Gazeta Esportiva e pelo HNT, de Mato Grosso. Quando a punição se tornou pública, em agosto, o presidente Cristiano Dresch já havia citado valores que o clube tem a receber de outras equipes, segundo o HNT.
Petit comandou o Cuiabá em 2024, entre maio e agosto, e tinha contrato até 31 de dezembro de 2025. De acordo com o Olhar Esportivo e o Times Brasil, ele deixou o cargo depois de uma reunião com a diretoria, na sequência da goleada por 5 a 0 sofrida diante do Palmeiras; na época, o clube falou em “motivos pessoais”, e Dresch atribuiu a saída à dificuldade de adaptação do treinador à logística do futebol brasileiro e à distância de casa. A cobrança na Fifa envolveu os salários do restante do vínculo, que ainda tinha mais de um ano pela frente.
Na nota, o Cuiabá diz que pagou com “recursos próprios e esforço dos acionistas” e que o desembolso “comprometeu severamente o fluxo de caixa” de 2026, reduzindo o dinheiro disponível para o elenco profissional, as categorias de base e a infraestrutura, segundo o Olhar Esportivo e o Só Notícias. O clube afirma que não contesta a decisão, mas quer a revisão das regras de rescisão antecipada de contratos de treinadores: pela leitura da diretoria, a legislação esportiva brasileira, sobretudo a Lei Geral do Esporte, pode obrigar o pagamento de todos os salários restantes, independentemente do tempo de trabalho ou das circunstâncias da saída.
A segunda parte do comunicado é uma cobrança pública. “Temos cerca de R$ 45 milhões a receber de clubes brasileiros”, disse Dresch, segundo a Gazeta Esportiva, que também registrou a crítica do presidente à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão da CBF: “A CNRD precisa ser mais efetiva e dar celeridade à cobrança”. Segundo o Olhar Esportivo, as pendências envolvem Corinthians, Santos, Grêmio, Sport e Atlético-MG e estão sob análise da CNRD; o Times Brasil cita entre as negociações a venda do volante Raniele ao Corinthians, a do zagueiro Joaquim Henrique ao Santos, que depois o repassou ao Tigres, do México, e a do meia Pepê ao Grêmio. Os valores de cada caso não foram divulgados. “Essa conta não fecha”, afirmou o clube, que pediu à CBF fiscalização mais rigorosa das dívidas entre clubes e diz que a inadimplência gera desequilíbrio competitivo.
O fim da punição chega na reta final da Série B. Depois de 33 rodadas, o Cuiabá é o 11º colocado, com 47 pontos, dez atrás do Fortaleza, quarto com 57, e a 14 do líder Vila Nova, que tem 61. O time fecha a 34ª rodada na terça-feira (20), às 19h30, contra o Londrina, 18º colocado, fora de casa. Com a restrição suspensa, o clube volta a poder inscrever reforços já no planejamento de 2027.
Um dos casos citados está no noticiário desta semana: Raniele, cuja venda ainda tem pagamento pendente segundo o Cuiabá, sofreu lesão no menisco do joelho direito no Dérbi do último domingo (11) e é desfalque do Corinthians de Clarence Seedorf. As cobranças na CNRD seguem em andamento, e a câmara pode aplicar aos devedores sanções como a proibição de registrar atletas, a mesma que o Cuiabá acaba de encerrar na Fifa.
Informações de Gazeta Esportiva, Olhar Esportivo, Times Brasil, Só Notícias, HNT e Agora RN.