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Futebol · Fim das bets

Prazo das bets acaba hoje: marcas saem das camisas, sites saem do ar à meia-noite e o STF ainda não decidiu

Apostadores têm até as 23h59 desta segunda-feira (5) para sacar cerca de R$ 1,4 bilhão; Fux espera a resposta da AGU, e Corinthians e Palmeiras procuram saída para o espaço máster

Por Redação TV Arena05/10, 07h00
Arte: TV Arena Esportes.

Termina às 23h59 desta segunda-feira (5) o período de transição da Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a exploração, a oferta e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. Até lá, os clubes precisam tirar as marcas das casas de apostas de camisas, placas, naming rights e qualquer conteúdo que promova as bets, e os apostadores têm a última chance de sacar o dinheiro que deixaram nas plataformas. A partir de terça-feira (6), sites e aplicativos deixam de funcionar, segundo a Folhapress, publicada pelo Bem Paraná, e o Lance.

O dinheiro parado ainda é alto. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, citado pelo Metrópoles, cerca de R$ 1,4 bilhão continuava nas contas de apostadores, e 28,6 milhões de CPFs ainda precisavam pedir o resgate. Dos R$ 2,1 bilhões retidos quando a MP entrou em vigor, R$ 652 milhões, perto de 30%, já tinham sido sacados. O que sobrar depois do prazo será devolvido pelo sistema bancário, de acordo com a pasta. O governo também marcou 48 contas com saldo acima de R$ 500 mil como suspeitas e abriu investigação por possível lavagem de dinheiro, e mais de 10 mil sites de apostas foram derrubados.

A briga agora está no Supremo Tribunal Federal. O ministro Luiz Fux, relator das ações contra a MP, deu 72 horas para a Advocacia-Geral da União se manifestar. Na sexta (2), a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) pediu uma liminar para suspender a medida e argumentou que, entre janeiro de 2025 e março de 2026, 83 empresas pagaram R$ 2,55 bilhões ao governo por 85 outorgas de cinco anos, que a MP extinguiu em 30 dias, segundo a Folhapress. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) fez pedido parecido, de acordo com a Agência Brasil. Segundo a coluna de Matheus Leitão no Metrópoles, integrantes do governo temem que Fux derrube a MP; o Brasil 247 informou que a decisão deve sair depois do primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4). Até a publicação desta reportagem, o ministro não tinha decidido.

No futebol, cada clube reagiu de um jeito. São Paulo, Corinthians e Atlético-MG ainda entraram em campo com as marcas das bets no último fim de semana, enquanto o Santos suspendeu o contrato com a Novibet e tirou a marca antes do clássico, segundo o Lance e o BNews. A H2bet encerrou o patrocínio do Atlético-MG na noite de sábado (3). O Corinthians, que tem com a Esportes da Sorte um contrato até 2029 de R$ 150 milhões fixos por ano, mais R$ 10 milhões em ativações e metas, negocia com uma empresa de educação financeira para ocupar o espaço máster, segundo a CartaCapital. O Palmeiras, que recebe R$ 100 milhões por ano da Sportingbet, mais até R$ 70 milhões em bônus até 2027, enfrenta o Bahia já sem a marca e decidiu não fechar um substituto às pressas; a conversa com a montadora Leapmotor foi pausada, de acordo com o Portal do Palestra.

As perdas declaradas são grandes. O presidente do Flamengo estimou um prejuízo de cerca de R$ 400 milhões, e o do Fluminense falou em mais de R$ 100 milhões, somando patrocínios, placas e estoque de camisas com as marcas, segundo o Lance. São Paulo, Ponte Preta, Vitória, Guarani e Portuguesa pediram ao STF um período de transição de seis meses a um ano, segundo o Brasil em Folhas.

Os primeiros jogos sob a proibição total serão os da Série B, que abre a 32ª rodada na terça (6) com Sport x São Bernardo, às 19h30. A Série A volta na quarta (7) com a 29ª rodada, e o Palmeiras recebe o Bahia na quinta (8), às 21h30, no Nubank Parque. A MP tem força de lei desde a publicação, mas ainda precisa ser votada pelo Congresso.

Informações de Bem Paraná/Folhapress, Metrópoles, Metrópoles (Matheus Leitão), Agência Brasil, Brasil 247, Lance, BNews, CartaCapital, Portal do Palestra e Brasil em Folhas.