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Conselho Deliberativo do Vasco vota nesta terça a venda de 90% da SAF para a Almirante, de Marcos Lamacchia

Reunião na Sede Náutica da Lagoa começa às 19h; proposta prevê aporte de R$ 500 milhões no futebol e exige mudar o estatuto para o clube ficar com só 10%

Por Redação TV Arena06/10, 14h00
Arte: TV Arena Esportes.

O Conselho Deliberativo do Vasco se reúne nesta terça-feira (6), às 19h (em primeira convocação; a segunda é às 19h30), na Sede Náutica da Lagoa, no Rio, para votar a proposta da Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa do empresário Marcos Lamacchia, de comprar 90% das ações da SAF do clube. A sessão extraordinária, em formato híbrido, foi convocada pelo presidente do Conselho, João Riche, segundo o NetVasco, com base em informação do ge, e o Lance!.

A pauta tem dois itens. Além dos termos da operação, os conselheiros votam a reforma do artigo 135, inciso I, do estatuto social, que hoje obriga a associação (CRVG) a manter no mínimo 20% do capital da SAF. A mudança reduz esse piso para 10%: pelo desenho do negócio, o clube associativo fica com 10% em ações classe A, que têm direitos especiais previstos em lei, informaram o NetVasco e o Torcedores.com.

A Almirante foi a única interessada habilitada e venceu o leilão da SAF realizado em 25 de setembro no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Lamacchia não compareceu: foi representado pelo sócio Mário Junqueira e pelo advogado André Sica, segundo a Folha Vitória. O compromisso central é um aporte de R$ 500 milhões no futebol, pago em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões, além de R$ 120 milhões para o CT ao longo de dez anos e R$ 30 milhões para as categorias de base em dois anos. O valor total atribuído à operação varia conforme o veículo: mais de R$ 2 bilhões (Folha Vitória), cerca de R$ 3 bilhões (Jogada10, publicado pelo Terra) e cerca de R$ 4 bilhões (Lance!).

Segundo o BPMoney, que teve acesso ao contrato, há ainda R$ 150 milhões em projetos de incentivo fiscal ao longo de dez anos, um aluguel anual de R$ 3 milhões pago ao CRVG pelo uso de São Januário (R$ 2 milhões durante as obras), a proibição de Lamacchia vender ações da SAF por dez anos e o bloqueio da distribuição de dividendos no mesmo período. Na véspera, de acordo com o Lance!, parte dos conselheiros pediu o adiamento da reunião para analisar melhor o contrato, liberado em formato digital na semana passada, e houve divergência sobre o formato: o presidente Pedrinho defende voto aberto e transmissão pela VascoTV, enquanto a oposição pressiona por votação fechada, com divulgação apenas do resultado.

O negócio tem um ingrediente fora de São Januário. Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, e a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) investiga um possível conflito de interesses, segundo a Folha Vitória e o BPMoney. Em jantar com conselheiros palmeirenses na noite de segunda (5), numa pizzaria da zona oeste de São Paulo, Leila negou envolvimento com o Vasco e reagiu às críticas da oposição, segundo o Lance!: "Eu e o meu marido colocamos mais de R$ 1 bilhão dentro do Palmeiras", disse. "Quando eu sair do Palmeiras, em dezembro de 2027, eu vou voltar de onde eu vim", completou, ao chamar os críticos de "meia dúzia de imbecis".

Se a proposta passar no Conselho Deliberativo, o Conselho de Beneméritos tem até sete dias úteis para emitir parecer opinativo, o Conselho Fiscal analisa a documentação e a operação segue para a Assembleia Geral dos sócios estatutários, em votação única. Depois, ainda dependem de conclusão os procedimentos judiciais da arrematação e o crivo da Anresf; não há data definida para a transferência efetiva, informou o Lance!. Em campo, o Vasco tem pela frente o jogo de ida contra o Boca Juniors pela Sul-Americana, em 20 de outubro, ainda sem estádio definido.

Informações de Lance!, NetVasco, Folha Vitória, BPMoney e Lance! (Leila).