Vasco convoca os sócios para 23 de outubro, e a Assembleia Geral vai dar a palavra final sobre a venda de 90% da SAF à Almirante, de Marcos Lamacchia
Votação será das 10h às 20h, presencial na Sede Náutica da Lagoa e pela internet, com 7.195 associados aptos; pauta também reduz de 20% para 10% a fatia mínima do clube no futebol
O Vasco publicou no domingo (11) o edital de convocação da Assembleia Geral Extraordinária que vai decidir a venda de 90% das ações da SAF para a Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa do empresário Marcos Lamacchia. A votação será na sexta-feira, 23 de outubro, das 10h às 20h, em formato híbrido: presencialmente na Sede Náutica, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, ou à distância, pelo sistema eletrônico oficial do clube, segundo o NetVasco, que reproduziu o comunicado do site oficial, e o Terra.
A relação definitiva divulgada pelo clube tem 7.195 associados habilitados a votar. A pauta tem dois itens: a alteração do Estatuto Social, que reduz de 20% para 10% a participação mínima obrigatória da associação na SAF — condição para a transferência de 90% das ações —, e a operação societária em si. Segundo o A Tarde, a aprovação exige maioria de 50% dos votos mais um. A votação é única, e o resultado é definitivo, de acordo com o Papo na Colina.
A assembleia é a última etapa interna. O Conselho Deliberativo aprovou a proposta em 6 de outubro por 175 votos a 26, com três abstenções, e também a mudança no estatuto, depois de uma reunião com divergências sobre o formato da votação. Segundo o A Tarde, o presidente Pedrinho, candidato à reeleição, afirmou depois da sessão que o grupo investidor tem “um dinheiro praticamente infinito”, e a diretoria justifica a venda pela necessidade de enfrentar o endividamento do clube.
O contrato prevê, segundo a imprensa citada pelo Papo na Colina, aporte mínimo de R$ 500 milhões no futebol até 2030, R$ 120 milhões no CT profissional em dez anos e R$ 30 milhões nas categorias de base em dois anos, além do pagamento das dívidas do clube, que passam de R$ 1 bilhão, pela recuperação judicial. A SAF usaria São Januário até 2030, pagando R$ 3 milhões por ano ao clube social, e ficam proibidas a distribuição de dividendos e a venda de novas ações por dez anos. A operação é avaliada em cerca de R$ 4 bilhões e tem o aval de José Roberto Lamacchia, pai do investidor e dono da Crefisa. O A Tarde fala em fluxo de caixa projetado de R$ 1,5 bilhão até 2030.
Mesmo com o sim dos sócios, o negócio ainda precisa passar pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), que analisa um possível conflito de interesses porque Marcos Lamacchia é enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Segundo o Papo na Colina, a avaliação dos envolvidos é que a agência não deve barrar a venda, mas pode impor restrições até o fim do mandato de Leila, em dezembro de 2027. A expectativa é concluir a operação e iniciar a gestão de Lamacchia em novembro.
Será a segunda vez em quatro anos que os sócios do Vasco votam a venda do futebol. Em 2022, a Assembleia aprovou a cessão de 70% da SAF à 777 Partners com 79,44% dos votos de 4.907 participantes; em 2024, a Justiça suspendeu o contrato e afastou a empresa americana, o que levou o clube a exigir garantias mais duras no novo processo. Em campo, o time visita o São Paulo no sábado (17), às 21h, no Morumbis, pela 31ª rodada do Brasileirão.
Informações de NetVasco, Terra, A Tarde e Papo na Colina.