MP pede a prisão preventiva do vice Armando Mendonça, réu no caso dos materiais da Nike, depois da demissão de testemunha do clube
Promotor Cássio Conserino vê tentativa de intimidar testemunhas na saída do diretor de tecnologia Marcelo Munhoes; defesa chama o pedido de “notoriamente abusivo”, e a 25ª Vara Criminal ainda não decidiu
O Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça, nesta sexta-feira (16), a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do Corinthians e réu no processo que apura o desvio de materiais esportivos fornecidos pela Nike ao clube. O pedido foi feito pelo promotor Cássio Roberto Conserino à 25ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda, que ainda não decidiu. Como alternativa à prisão, o MP pediu a aplicação de medidas restritivas. A informação foi publicada primeiro pelo ge e confirmada por Gazeta Esportiva e Terra.
O gatilho foi a demissão de Marcelo Munhoes, diretor de tecnologia do Corinthians e testemunha de acusação no caso. Foi ele quem conduziu o levantamento técnico da auditoria interna, encomendada pelo presidente Osmar Stabile, que apontou Mendonça como figura central das irregularidades. Para Conserino, a dispensa, a poucas semanas da audiência de instrução, “pode representar uma tentativa de intimidar testemunhas” e de interferir na produção de provas. O promotor também abriu um procedimento separado para apurar a demissão e a eventual participação de Mendonça ou de terceiros, segundo o Terra.
O processo trata de prejuízo estimado em R$ 6,21 milhões: R$ 5,14 milhões registrados em 2024 e R$ 1,07 milhão entre maio e setembro de 2025, de acordo com o Terra. A acusação cita a apropriação de 131 itens da Nike, a tentativa de obter 19 camisas com identificações especiais e notas fiscais que não entraram no sistema de gestão do clube. A Máquina do Esporte lembra que auditorias paralelas encontraram retiradas 300% acima da cota anual prevista e venda clandestina de camisas oficiais a R$ 150 e R$ 180, e que, em 13 de setembro de 2025, o Corinthians teve de enfrentar o Fluminense com o uniforme reserva por falta de camisas do modelo principal.
Mendonça virou réu em junho por apropriação indébita agravada continuada, tentativa de apropriação indébita, furto qualificado pelo abuso de confiança e coação no curso do processo — este último por supostas ameaças a duas testemunhas. Ele nega as irregularidades: atribui o sumiço dos materiais à gestão do ex-presidente Augusto Melo, diz que as correções foram feitas já sob Stabile e aponta falhas no relatório da auditoria.
A defesa do vice disse ter recebido o pedido “com espanto e surpresa” e o classificou como “notoriamente abusivo”. Os advogados afirmam que só o presidente pode nomear e dispensar diretores, que a decisão foi exclusivamente de Osmar Stabile e que Mendonça soube da demissão pela imprensa. Segundo a Gazeta Esportiva, a defesa diz que o e-mail de Munhoes ao promotor, enviado às 15h19, nem cita o vice, e que o pedido de prisão foi protocolado às 16h39; os advogados questionam a imparcialidade de Conserino e vão levar o caso aos órgãos de controle do MP. O Corinthians não se manifestou oficialmente.
A defesa atribui a saída de Munhoes à política interna: o diretor apoia publicamente a chapa de oposição Todo Dia Pelo Corinthians, do candidato Rozallah Santoro, na eleição presidencial marcada para 28 de novembro, com cinco candidatos. De acordo com o ge, citado pela TV Foco, foi o próprio Stabile quem comunicou a demissão ao diretor.
Agora, a decisão sobre a prisão ou as medidas alternativas fica com a 25ª Vara Criminal, sem prazo definido. A audiência de instrução do processo está marcada para 10 de novembro. Em campo, o Corinthians enfrenta o Vitória na segunda-feira (19), ainda sem Clarence Seedorf no banco, porque o registro do novo técnico não saiu a tempo no BID da CBF.
Informações de Gazeta Esportiva, Terra, Máquina do Esporte, InfoTimão e TV Foco.