Gabriel Paulista chora após a goleada no Dérbi, denuncia salários atrasados e ataca a diretoria do Corinthians: “Estou vivendo um pesadelo”
Zagueiro diz que ofereceu dinheiro a companheiros e que a presidência “está afetando muito os jogadores”; time perdeu a oitava seguida e fica a uma do pior recorde de sua história no Brasileiro
O zagueiro Gabriel Paulista, um dos jogadores mais experientes do elenco do Corinthians, chorou na zona mista do Nubank Parque depois da derrota por 4 a 1 para o Palmeiras, na noite deste domingo (11), e fez duras críticas à diretoria e à presidência do clube. Segundo o Estadão, que publicou a entrevista, o defensor denunciou atrasos nos pagamentos a atletas e funcionários e afirmou: “Eu abri mão de muitas coisas para viver um sonho e agora estou vivendo um pesadelo”.
Gabriel Paulista contou que tem condições de suportar um período sem receber, mas que essa não é a realidade de todo o grupo. “Eu consigo me manter durante um tempo, mas tem jogador que não consegue”, disse, de acordo com o Estadão. Lembrando o começo da carreira, quando ganhava pouco, completou: “Se eu passasse por uma situação como essa, minha família talvez passasse fome”. Segundo o Esporte News Mundo e o InfoTimão, ele relatou ter procurado companheiros no sábado (10) para se colocar à disposição de ajudá-los financeiramente — situação que chamou de vergonhosa para um clube do tamanho do Corinthians: “Isso é uma vergonha para o clube que é o Corinthians”.
O alvo das críticas foi a gestão. “As coisas de fora estão afetando demais. Da diretoria, da presidência, está afetando muito os jogadores”, afirmou, segundo o Estadão. O zagueiro cobrou respaldo: “A gente precisa de proteção. Precisa que pague o salário, que deixe funcionário com salário pago”. De acordo com o InfoTimão, ele disse que os atletas estão cansados de proteger “alguns profissionais” da gestão, embora sigam defendendo o clube, e encerrou: “Sofro muito, de verdade. Não é dinheiro, cara, é amor pelo Corinthians”. O Corinthians não havia se manifestado sobre as declarações até a publicação desta matéria.
Segundo o InfoTimão, as pendências com o elenco incluem os direitos de imagem de julho e agosto, além de férias e premiações. O problema financeiro vem de antes: em agosto, o mesmo site já havia informado atraso nos salários de julho em carteira, nos direitos de imagem de junho e em dois bônus combinados com as lideranças do elenco — pela campanha na fase de grupos da Libertadores e pelo primeiro turno do Brasileirão —, com o executivo Marcelo Paz como principal interlocutor dos jogadores.
Em campo, a derrota no Dérbi foi a oitava seguida do Corinthians no Brasileirão. Segundo a Gazeta de São Paulo, a série começou em 16 de agosto, contra o Cruzeiro, e a última vitória foi em 9 de agosto, por 2 a 0 sobre o Red Bull Bragantino. O recorde negativo do clube na competição é de nove derrotas seguidas, na Copa João Havelange de 2000 — uma nova derrota iguala a marca. O time é o 16º, com 32 pontos, a mesma pontuação do Internacional, primeiro da zona de rebaixamento, e só fica fora do Z4 pelo número de vitórias; o Grêmio tem 31.
O interino William Batista, técnico do sub-20 que comandou o time no clássico, atribuiu a goleada a questões táticas, segundo o Meu Timão: “A gente tomou três gols de transição ofensiva deles”. E projetou a mudança no comando: “A partir do momento em que voltar a vencer, espero que seja na semana que vem, com o Seedorf”.
Clarence Seedorf, anunciado no próprio domingo com contrato até o fim de 2027 no lugar de Fernando Diniz, começa a trabalhar nesta semana no CT Dr. Joaquim Grava. A estreia do holandês, que está há sete anos sem dirigir uma equipe, será contra o Vitória, na segunda-feira (19), às 20h, na Neo Química Arena, pela 31ª rodada. Restam oito jogos para o fim do Brasileirão.
Informações de Estadão (via Terra), InfoTimão, Esporte News Mundo (via Terra), Gazeta de São Paulo e Meu Timão.