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Corinthians congela parcela de R$ 27 milhões da Arena com a Caixa e ganha mais prazo da União após quatro meses sem pagar acordo tributário

Clube oferece os naming rights da Neo Química Arena ao banco para abater dívida de cerca de R$ 630 milhões e usa a negociação para segurar a transação com a PGFN

Por Redação TV Arena01/10, 17h50
Arte: TV Arena Esportes.

O Corinthians fechou um acordo com a Caixa Econômica Federal para suspender temporariamente o pagamento da terceira parcela de 2026 do refinanciamento da Neo Química Arena. A prestação, de cerca de R$ 27 milhões, venceu em 25 de setembro e fica congelada enquanto clube e banco negociam uma solução ampla para a dívida do estádio, segundo o Meu Timão e a Gazeta Esportiva. O clube já havia quitado as duas primeiras parcelas do ano: R$ 56 milhões de cerca de R$ 115 milhões previstos para 2026, de acordo com o Meu Timão (a CNN Brasil fala em R$ 58 milhões pagos).

A dívida da Arena é estimada em cerca de R$ 630 milhões (a CNN Brasil cita aproximadamente R$ 660 milhões) e representa 22,5% do endividamento total do Corinthians, calculado em R$ 2,8 bilhões. Em 31 de dezembro de 2025, o saldo devedor era de R$ 642 milhões. O contrato vai até dezembro de 2041, com juros de 2% ao ano mais a variação do CDI. Depois de pagar apenas juros em 2023 e 2024, o clube desembolsou cerca de R$ 93 milhões em 2025. A próxima parcela vence em dezembro; segundo o TMC, se a Caixa somar a prestação suspensa à de fim de ano, a conta chega a R$ 54 milhões de uma vez.

O centro da proposta é a Caixa assumir os naming rights do estádio. A Hypera Pharma detém o nome da Arena desde 2020 e paga cerca de R$ 21 milhões por ano, segundo a CNN Brasil; um estudo de avaliação encomendado pela diretoria aponta que a propriedade vale pelo menos R$ 70 milhões anuais. A multa para romper com a Hypera caiu para cerca de R$ 50 milhões no segundo semestre de 2025, de acordo com a CNN. Para evitar a rescisão litigiosa, o clube estuda oferecer à farmacêutica o nome de outros equipamentos, como o CT Dr. Joaquim Grava, relataram o Meu Timão e o TMC. O pacote ainda inclui lançamento de títulos de capitalização, transferência das contas e da folha de pagamento do clube para a Caixa, cartões ligados ao programa Fiel Torcedor e a liberação de R$ 27 milhões parados numa conta-reserva criada na renegociação de 2022.

A negociação com o banco virou também o argumento do Corinthians junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O clube deixou de pagar as parcelas de junho, julho, agosto e setembro da transação tributária fechada com a União em fevereiro, que reduziu em 46,6% uma dívida federal de R$ 1,2 bilhão para R$ 679 milhões, a serem pagos em 60 parcelas (débitos previdenciários), 120 (não previdenciários) e 60 (FGTS). Segundo a Super Rádio Tupi, o atraso soma R$ 27,3 milhões — R$ 8 milhões previdenciários e R$ 19,3 milhões não previdenciários — e a PGFN notificou o clube em agosto. O contrato prevê rescisão com três parcelas em atraso, consecutivas ou alternadas. Nesta quinta, o Meu Timão informou que a diretoria conseguiu postergar o prazo para evitar a rescisão, justificando o atraso justamente com a negociação dos naming rights com a Caixa.

Se a transação cair, a dívida volta ao valor original de R$ 1,2 bilhão, sem os descontos, as execuções judiciais são retomadas e o Corinthians fica dois anos impedido de negociar com o Fisco. O acordo tem como garantias o Parque São Jorge, avaliado em R$ 602,2 milhões, e os repasses da Timemania. O quadro financeiro é pressionado: até julho, o clube acumulou déficit de R$ 278,7 milhões, 258% acima dos R$ 77,8 milhões projetados para o período, segundo a Gazeta Esportiva, e convive com salários e direitos de imagem atrasados, como lembrou a Tupi.

Tudo acontece a menos de dois meses da eleição presidencial de 28 de novembro, que já corre risco por causa de um inquérito do Ministério Público e de uma ação na Justiça. De acordo com o TMC, a oposição trata a promessa de equacionar a dívida da Arena como bandeira de campanha do presidente Osmar Stabile, candidato à reeleição. Pela mesma razão, o clube não deve, por ora, se juntar ao Flamengo na ação no STF contra a MP das bets: segundo o colunista Paulo Vinicius Coelho, do UOL, Corinthians e Internacional preferem esperar um eventual socorro financeiro do governo federal aos clubes. Em campo, o próximo compromisso do time no Brasileirão é o Dérbi contra o Palmeiras, no dia 11, no Nubank Parque.

Informações de Meu Timão, Gazeta Esportiva, CNN Brasil, Meu Timão (PGFN), Super Rádio Tupi, TMC e FogãoNET (PVC/UOL).