Neymar será denunciado ao STJD pela expulsão contra o Bahia e pode pegar de uma a seis partidas de suspensão; julgamento deve ser na quinta ou na sexta
Procuradoria deve enquadrar o camisa 10 no artigo 258 do CBJD; ele já está fora dos jogos contra Palmeiras e Bragantino, e só volta depois da Data Fifa se a pena não passar de dois jogos
A Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) vai denunciar Neymar pela expulsão no empate por 1 a 1 entre Santos e Bahia, no sábado (24), na Vila Belmiro, pela 32ª rodada do Brasileirão. A informação foi publicada primeiro pela ESPN e confirmada pelo Lance! no fim da manhã desta segunda-feira (26). Segundo o Lance!, a procuradoria ainda analisa o vídeo, a súmula e os detalhes jurídicos para fechar a tipificação, e o julgamento está previsto para a quinta-feira (29) ou a sexta-feira (30).
O enquadramento mais provável é o artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que pune a “conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva” com suspensão de uma a seis partidas. De acordo com o A Tarde, o procurador Rafael Bozzano indicou que a tendência é a denúncia por esse artigo. O Lance! acrescenta que também é analisado o artigo 191, inciso II (descumprimento de ato normativo), cuja pena é multa de R$ 100 a R$ 1 mil. O A Tarde ressalta que não há indicação de racismo no caso: a análise é disciplinar, pela conduta na discussão. Os precedentes citados pelo jornal baiano são leves — Breno Lopes, do Coritiba, e Arthur Cabral, do Botafogo, levaram uma partida cada por cobrir a boca em discussões.
A expulsão veio na volta do intervalo. Neymar, que já tinha levado amarelo aos 31 minutos do primeiro tempo por arremessar a bola no peito de Rodrigo Nestor, voltou a discutir com o volante e falou com a mão na frente da boca, o que o protocolo conhecido como ‘Lei Vini Jr.’ pune com vermelho direto. Segundo o A Tarde, o árbitro Sávio Pereira Sampaio (DF) não viu o gesto e foi chamado pelo VAR, Paulo Renato Moreira da Silva Coelho. Nos áudios da revisão, divulgados pela CBF na manhã desta segunda, Sávio diz: “O jogador tampa a boca. Tampou a boca e foi confrontar o adversário. Ok, decisão cartão vermelho”. Na súmula, citada pelo Lance! e pelo Terra, o árbitro registrou ainda que, depois de expulso, Neymar correu em direção ao banco do Bahia e precisou ser contido pelos companheiros.
As declarações depois do jogo também pesam no contexto. Nas redes, Neymar chamou Nestor de “safado” e “idiota” e o acusou de usar uma lei criada contra o racismo para tirá-lo da partida; num vídeo gravado por um influenciador a caminho do vestiário, disse: “É a maior safadeza do futebol, mas eu vou pegar ele ainda”, segundo o Terra. O Terra lembrou, no domingo, que esse tipo de fala poderia ser examinado à luz do artigo 243-C (ameaça), com pena de 30 a 120 dias, mas as reportagens desta segunda não indicam que a procuradoria vá incluí-lo na denúncia. Nestor, por sua vez, disse que Neymar “falhou muito como pessoa” e que “sabe o que falou”, sem repetir as palavras, segundo o A Tarde; o Bahia publicou nota repudiando as “agressões verbais” sofridas pelo seu jogador.
Na prática, o camisa 10 já tem dois jogos de ausência garantidos pelas suspensões automáticas do terceiro amarelo e do vermelho direto: o clássico contra o Palmeiras, na quarta-feira (28), às 19h30, na Vila Belmiro, e a visita ao Red Bull Bragantino, na segunda-feira (2 de novembro), segundo o A Tarde e o GCMais. Pelo que explica o Lance!, uma pena de até duas partidas no STJD seria absorvida por esses dois jogos; se for maior, os jogos excedentes serão cumpridos depois. Sem punição adicional, Neymar volta depois da Data Fifa, contra o Coritiba, em 18 de novembro, segundo o Terra e o GCMais.
O tamanho da pena importa porque o Brasileirão entra na reta final, com seis rodadas restantes depois desta 32ª, e o Santos, oitavo colocado com 46 pontos, tenta se aproximar da zona de classificação para a Libertadores. Uma suspensão de seis partidas, o teto do artigo 258, tiraria Neymar de praticamente todo o restante da competição, cenário que o A Tarde menciona no título da sua reportagem. O técnico Cuca, que no sábado disse que não iria “jogar ele na fogueira” e lamentou a perda de um jogador “em ótima fase”, prometeu se pronunciar depois de conversar com o atacante e rever as imagens.