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Futebol · Fim das bets

Governo de Minas vai pagar R$ 32 milhões a Atlético, Cruzeiro e América para cobrir a saída das bets

Cemig e Codemge patrocinam Galo e Cruzeiro com R$ 15 milhões cada e o Coelho com R$ 2 milhões; Athletic e Uberlândia ainda negociam valores

Por Redação TV Arena29/09, 12h20
Arte: TV Arena Esportes.

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anunciou na manhã desta terça-feira (29), em Belo Horizonte, um patrocínio estadual de R$ 32 milhões para Atlético, Cruzeiro e América, os três clubes da capital que vão perder as casas de apostas das camisas por causa da medida provisória que proibiu as bets no país. O protocolo foi assinado na sede do BDMG, segundo o Diário do Comércio. O Atlético e o Cruzeiro recebem R$ 15 milhões cada; o América, R$ 2 milhões. O dinheiro sai de três estatais mineiras: a Cemig (energia) e as companhias de desenvolvimento Codemge e Codemig.

Estiveram no anúncio Renato Salvador, acionista da SAF do Atlético; Pedro Lourenço, o Pedrinho, dono da SAF do Cruzeiro; e Marcus Salum, coordenador do grupo de gestão do América, de acordo com o Estado de Minas. Os contratos são anuais e, pelo que disse o governador, o pagamento começa assim que forem assinados com as estatais. "Não tem nenhum motivo para a gente atrasar nenhum desses desembolsos aqui, porque a gente sabe que os clubes já tiveram a notificação da interrupção dos recebimentos dos patrocínios das bets", afirmou Simões, em fala reproduzida pelo Central da Toca. A marca do governo poderá ocupar mangas, costas ou, provisoriamente, o espaço máster da camisa.

O valor, segundo o próprio governador, equivale a cerca de um terço do que os três clubes recebiam das casas de apostas. Hoje o Atlético estampa a H2Bet, o Cruzeiro a Betnacional e o América a Betbra, conforme o No Ataque, e todas essas marcas têm de sair dos uniformes, placas e estádios até as 23h59 de 5 de outubro, prazo fixado pela MP nº 1.394, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 25. Pelos números da consultoria Sports Value publicados pelo O Tempo, o Atlético recebeu R$ 62 milhões de bets em 2025 e o Cruzeiro, R$ 50 milhões. Simões disse que o cálculo levou em conta os parâmetros usados pelo Banrisul, banco estadual gaúcho, e o histórico de gastos da Cemig com patrocínio esportivo.

O acordo tem contrapartidas. Segundo o No Ataque, os clubes se comprometem a manter o futebol feminino, as categorias de base e programas de acesso ao estádio para torcedores de baixa renda, justamente as áreas que a Federação Paulista e outros clubes disseram que seriam as primeiras cortadas com o fim das receitas das apostas. O governador classificou a MP como um encerramento "abrupto" das operações das bets e disse que o objetivo é "garantir que o fluxo financeiro não cesse" e estimular outras empresas mineiras a patrocinarem os times do estado.

Dois clubes do interior ainda vão entrar na conta: o Athletic, de São João del-Rei, que disputa a Série B, e o Uberlândia. Os valores dos dois não foram definidos e serão negociados nos próximos dias, segundo o Diário do Comércio. A iniciativa mineira contrasta com a posição do governo federal, que até agora não ofereceu compensação aos clubes: a reunião do Ministério do Esporte com os dirigentes, marcada para esta terça em Brasília, foi adiada na segunda-feira depois do boicote de Palmeiras, Flamengo e outros grandes, e ainda não tem nova data.

Os três clubes voltam a campo já sem as bets nas camisas. Na Série A, o Cruzeiro recebe o São Paulo em 7 de outubro, às 21h30, e o Atlético visita o Athletico-PR no dia 8, às 20h, pela 29ª rodada, ambos depois do prazo de 5 de outubro. Na Série B, o América perdeu para o Juventude por 1 a 0 na segunda (28), no Independência, e segue na zona de rebaixamento, em 19º, com 17 pontos. Enquanto isso, a MP tramita no Congresso, que tem até 120 dias para votá-la, e a associação das operadoras (ANJL) prepara ação na Justiça contra a proibição.

Informações de Estado de Minas, Diário do Comércio, No Ataque e Central da Toca.