STJD nega liminar a Tifanny, e Osasco vai à Justiça comum para escalá-la na Supercopa contra o Praia e na Superliga
CBV registrou todo o elenco do Osasco na quinta, menos a oposta de 41 anos; Supercopa é nesta sexta, às 21h, em São Luís, e a Superliga começa no sábado
A Justiça Desportiva negou nesta sexta-feira (16) o pedido de liminar apresentado pelo Osasco São Cristóvão Saúde e pela oposta Tifanny Abreu para que a jogadora pudesse atuar nas competições nacionais organizadas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A informação foi publicada pelo O Tempo e pela Agência Estado. Logo depois da negativa, os advogados da atleta e do clube entraram com novo pedido de liminar na Justiça comum, segundo a Gazeta Esportiva e a CNN Brasil. As decisões publicadas até o fim da tarde não detalham os fundamentos da recusa.
O pedido tinha caráter de urgência: o Osasco enfrenta o Dentil Praia Clube na Supercopa feminina nesta sexta-feira, às 21h (de Brasília), no Ginásio Castelinho, em São Luís (MA), e a Superliga feminina 2026/27 começa no sábado (17). A ideia da defesa, de acordo com O Tempo, era garantir que Tifanny jogasse enquanto o mérito do caso é analisado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Segundo a CNN Brasil, a equipe jurídica também recorreu ao pleno do tribunal.
Na quinta-feira (15), a CBV deferiu as inscrições de todas as jogadoras do Osasco para a temporada, menos a de Tifanny, que ficou pendente. Em agosto, a entidade aderiu à política de elegibilidade do Comitê Olímpico Internacional, que restringe a categoria feminina a atletas de sexo biológico feminino e exige teste genético com resultado negativo para o gene SRY nos torneios nacionais. A CBV afirma seguir critérios do COI, da FIVB e da Confederação Sul-Americana. O advogado Luis Fernando Pamplona Novaes disse à CNN Brasil que a confederação respondeu sobre a elegibilidade da atleta com 24 horas de atraso. Ao O Tempo, a CBV declarou que tomou conhecimento da ação, mas ainda não foi notificada oficialmente, e que só se manifestará depois disso.
Tifanny tem 41 anos, disputa a Superliga desde 2017 e está na sexta temporada pelo Osasco, que renovou o contrato com ela para 2026/27, segundo a Gazeta Esportiva. A regra da CBV não vale para os estaduais, e por isso ela jogou o Campeonato Paulista: na terça-feira (13), foi destaque do 19º título estadual do Osasco, decidido no golden set (25 a 21) contra o Sesi Bauru, na Arena Paulo Skaf. Depois da final, admitiu que aquele poderia ser seu último jogo. Nesta sexta, publicou nas redes sociais: “Podem tentar colocar obstáculos no meu caminho, mas não vão apagar a minha história”. À imprensa, completou: “Não vou desistir! Não vou abrir mão da minha história. Quero continuar jogando, competindo e construindo minha trajetória até o momento em que eu mesma decidir”, segundo O Tempo.
O caso tem um precedente recente fora da CBV. Em fevereiro, vereadores de Londrina (PR) aprovaram requerimento para vetar a atleta na Copa Brasil, com base em uma lei municipal, e a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar que garantiu a participação dela no torneio, a pedido da própria CBV. Aquela decisão, porém, tratava da lei da cidade e não tem relação direta com a nova política de elegibilidade da confederação, ressalta O Tempo. A capitã da Seleção, Gabi Guimarães, criticou a forma como a CBV conduziu a mudança de regras, de acordo com a Gazeta Esportiva.
Sem decisão da Justiça comum até o início da partida, Tifanny fica fora da Supercopa, que coloca frente a frente o campeão da Superliga 2025/26, o Praia Clube, e o vencedor da Copa Brasil, o Osasco, com transmissão do sportv2. O time de Uberlândia, de Rui Moreira, é o maior vencedor do torneio, com quatro títulos seguidos de 2018 a 2021, e chega com o título mineiro. O próximo passo do caso depende da análise do pedido de liminar na Justiça comum e do julgamento do recurso no pleno do STJD, sem datas divulgadas.
Informações de O Tempo, CNN Brasil, Gazeta Esportiva, Agência Estado (Midiamax) e O Tempo (Tifanny).