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Ex-volante de Flamengo e Palmeiras, Alejandro Mancuso é acusado de vender licenças de técnico argentinas sem curso a Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo e outros ex-jogadores

Reportagem do UOL aponta pacote de quatro licenças da ATFA por cerca de R$ 100 mil, entregue em dez dias; entidade argentina diz que os papéis são falsos, e Mancuso nega ter vendido ou recebido dinheiro

Por Redação TV Arena07/10, 17h50
Arte: TV Arena Esportes.

Uma investigação da jornalista Joanna de Assis, do UOL, publicada nesta quarta-feira (7), acusa o argentino Alejandro Mancuso, ex-volante de Flamengo, Palmeiras, Boca Juniors e Real Madrid e ex-auxiliar de Diego Maradona na seleção argentina, de oferecer a ex-jogadores brasileiros licenças de treinador atribuídas à ATFA (Associação de Técnicos de Futebol Argentino) sem que eles cumprissem o curso regular. Segundo a apuração, que levou quase dois anos e reúne áudios e mensagens das negociações, o chamado "trâmite urgente" custava cerca de R$ 100 mil (aproximadamente US$ 20 mil) e entregava em uns dez dias, pelo correio, as licenças C, B, A e PRO, etapas que normalmente levam três anos de aulas e avaliações.

Nove nomes conhecidos aparecem na reportagem, de acordo com o Lance! e o Diario de Pernambuco: o zagueiro Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Paulinho (ex-Corinthians), Luiz Gustavo, o sérvio Dejan Petkovic, o uruguaio Diego Lugano, apontado nas matérias como atual diretor do São Paulo, e o peruano Paolo Guerrero. Roberto Assis, irmão e empresário de Ronaldinho Gaúcho, também foi procurado por Mancuso durante a pandemia e disse não se lembrar se chegou a pagar.

As explicações variam. Por meio da assessoria, Thiago Silva disse ter pago por cursos que não foram ministrados como prometido, recebeu os certificados no fim de 2023 e afirma nunca tê-los usado. Felipe Melo contou que desconfiou quando as aulas presenciais nunca foram marcadas ("Pensei: 'Isso aqui tá errado'"), apagou as referências à ATFA das redes e conseguiu o dinheiro de volta. Lugano admitiu um "curso rápido": "Fiz o teórico pela internet, mas faltou a parte presencial. Eu nunca fui". Petkovic confirmou ter negociado direto com Mancuso, diz que a licença está suspensa por falta da etapa presencial e que não vai trabalhar como técnico. Alex, que já tinha cursos da CBF Academy, disse nunca ter usado o documento, cujo texto trazia "futsal" no lugar de "fútbol". Roberto Carlos recebeu as licenças e uma carteirinha pelo correio e, segundo a assessoria, não as usou; Luiz Gustavo afirmou que acreditava contratar uma "homologação de carreira"; Paulinho disse não ter imaginado nada irregular. Guerrero não comentou.

A ATFA nega qualquer ligação. Em comunicado, o secretário-geral Salvador Pasini afirmou que a entidade "no reconoce ninguna gestión" feita por Mancuso em seu nome, que ele não integra a diretoria, não tem vínculo contratual e não está autorizado a representá-la. Segundo a reportagem, os documentos têm QR Codes que não levam à verificação oficial, datas retroativas, nomes divergentes e assinaturas de um dirigente afastado em 2020. A entidade lembra que, em 2025, a polícia argentina fez busca em sua sede e que a Justiça Federal Criminal e Correcional arquivou o caso em dezembro daquele ano por inexistência de crime, o que, segundo a própria ATFA, não torna os certificados válidos.

Mancuso nega ter vendido licenças ou recebido dinheiro dos jogadores. Em vídeo divulgado pelo UOL e reproduzido pelo jornal argentino MDZ, ele disse que só repassava contatos (em tradução livre): "Muitos brasileiros me ligam porque sou um cara muito conhecido no Brasil. Eu passo o contato da federação para que liguem direto. Não sou parte da federação, só facilito". Segundo o Lance!, também afirmou: "Eu nunca fui da ATFA, sou apenas um comentarista de rádio". Alguns dos ex-jogadores, porém, relataram que ele se apresentava como "diretor internacional" da entidade.

Mancuso jogou a Copa do Mundo de 1994 pela Argentina e teve passagens marcantes pelo futebol brasileiro: Palmeiras, Flamengo e Santa Cruz, onde ficou oito meses em 1999. Em 2023, chegou a liderar um grupo de investidores estrangeiros interessado na SAF do clube pernambucano. Até o fim da tarde desta quarta, as reportagens não registravam manifestação da CBF nem do São Paulo sobre o caso, e não há indicação de que algum clube tenha aceitado as licenças. A ATFA disse que pode tomar medidas legais.

Informações de UOL (via Lance!), Diario de Pernambuco, MDZ e Diário do Pará.