Futebol · Fim das bets

Clubes discutem parar o Brasileirão para pressionar o governo por transição no fim das bets; CBF trata a hipótese como "cenário especulativo"

Dirigentes pedem de seis meses a um ano para encerrar os contratos com casas de apostas; sites têm de sair do ar em 6 de outubro, um dia antes da volta da Série A

Por Redação TV Arena30/09
Arte: TV Arena Esportes.

Dirigentes de clubes brasileiros passaram a discutir a paralisação do Campeonato Brasileiro como forma de pressionar o governo federal depois da medida provisória que proibiu as apostas de quota fixa no país. A possibilidade foi publicada na terça-feira (29) pelo Metrópoles e pelo Terra; a Placar atribui a informação ao colunista Marcel Rizzo, do Estadão, e cita Palmeiras, Flamengo e Corinthians entre os clubes envolvidos na articulação. Nenhum presidente defendeu a greve publicamente, e não há data nem formato definidos.

A principal reivindicação é um período de transição de seis meses a um ano para encerrar os contratos de patrocínio com as casas de apostas. Os clubes argumentam que ainda têm parcelas a receber até o fim da temporada e que os orçamentos de 2027 já foram montados contando com esse dinheiro. Segundo o Terra, os contratos entre clubes da Série A e empresas de apostas somaram R$ 1,03 bilhão em 2025. A oferta do governo até aqui, uma linha de crédito com juros baixos para renegociar dívidas, foi considerada insuficiente pelos dirigentes, de acordo com a Placar.

A MP foi assinada pelo presidente Lula na sexta-feira (25) e proíbe "a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade" das apostas de quota fixa. Segundo o A Crítica, os sites de apostas têm de encerrar as operações em 6 de outubro, e os apostadores podem sacar o saldo até o dia 5, mesmo prazo que o Terra informa para a retirada de publicidade e patrocínios. A Série A volta a campo no dia 7, com a 29ª rodada.

A CBF evita se posicionar. De acordo com o Terra, a entidade trata a paralisação como um "cenário especulativo", lembra que o calendário foi aprovado no Conselho Técnico com a participação dos próprios clubes e acompanha a situação caso seja preciso remarcar jogos, o que, numa interrupção, poderia empurrar rodadas para o início de 2027.

Enquanto isso, a disputa corre no Supremo Tribunal Federal. O Sinafut, sindicato dos clubes, pediu para participar da ação contra a medida, e as empresas do setor já questionam a MP na ADI 8024, segundo o A Crítica. A reunião entre governo, clubes, federações e CBF marcada para terça (29) foi adiada depois que vários presidentes avisaram que não compareceriam; o A Crítica informa que o novo encontro deve ficar para depois do primeiro turno das eleições, no domingo (4). A medida provisória ainda precisa ser analisada pelo Congresso para virar lei.

Informações de Metrópoles, Terra, Placar e A Crítica.