Elenco do Atlético-GO anuncia greve de entrevistas e cobra dois meses de salários, direitos de imagem e FGTS a cinco rodadas do fim da Série B
Sexto colocado e último time do G6, o Dragão diz que segue treinando normalmente; o clube se disse surpreso, e a promessa de Adson Batista de quitar a folha até o dia 16 não foi cumprida
Os jogadores do Atlético-GO anunciaram na noite de segunda-feira (19), em nota publicada nas redes sociais, que não vão mais dar entrevistas até que o clube regularize os pagamentos atrasados. Segundo o texto, reproduzido pelo Diário de Goiás e pelo Terra, o elenco tem a receber duas parcelas de salário, duas parcelas de direitos de imagem e os depósitos do FGTS. Os atletas que já estavam no clube na temporada passada cobram ainda o 13º salário de 2025 e as férias. “Não concederemos entrevistas até que todos os nossos direitos sejam regularizados”, diz a nota, que foi compartilhada por jogadores como o atacante Gustavo Coutinho e Adriano Martins, segundo o jornal O Hoje.
O grupo deixou claro que o protesto não chega ao campo. “Seguimos treinando normalmente e cumprindo de forma integral com os nossos deveres profissionais e contratuais”, afirma o comunicado. Os jogadores também pediram que as vitórias recentes sobre Criciúma, Goiás e América-MG “não sejam associadas, em nenhuma hipótese, à regularização dos compromissos do clube” e reafirmaram que o objetivo segue sendo o acesso à Série A, de acordo com o Diário de Goiás.
A crise vinha sendo admitida pela diretoria. Na terça-feira (14), o presidente Adson Batista reconheceu ao ge que o clube devia uma folha salarial ao elenco e parcelas de direitos de imagem a parte dos jogadores, e atribuiu o problema a dinheiro que não entrou. “Tenho R$ 16 milhões a receber e não estou recebendo”, disse o dirigente, que se referia a valores de negociações de atletas com outros clubes. “Estou fazendo um aporte, pois nossos recebíveis estão em atraso”, afirmou, segundo o Mais Goiás. Na ocasião, Adson indicou que a situação poderia ser resolvida até a sexta-feira (16), antes do jogo contra a Ponte Preta. A nota de segunda mostra que a dívida não só seguiu aberta como passou a incluir dois meses de salário.
A resposta do clube veio pela assessoria de imprensa. Ao Diário de Goiás, o jornalista Bruno Daniel disse que a diretoria foi surpreendida pela nota, que mantém diálogo diário com o elenco e que uma nova reunião com os jogadores aconteceu na própria segunda-feira, para explicar as dificuldades e as medidas tomadas em busca de solução. Segundo ele, a exposição pública atrapalha os esforços do clube para atrair investidores e patrocinadores. O Terra, citando o ge, também relatou a surpresa da diretoria com a decisão do grupo.
O protesto chega no momento mais delicado da campanha. O Atlético-GO é o sexto colocado da Série B, com 54 pontos em 34 jogos (14 vitórias, 12 empates e oito derrotas), e ocupa a última vaga do G6, a zona que leva aos playoffs de acesso — só os dois primeiros sobem direto. O time de Roger Silva somou apenas dois pontos nos últimos três jogos: perdeu por 3 a 1 para o CRB e empatou por 1 a 1 com Sport e Ponte Preta, este último na sexta-feira (16), em Indaiatuba, contra um adversário já rebaixado. O CRB, sétimo, está dois pontos atrás, com 52.
Faltam quatro rodadas. A primeira é um confronto direto contra o vice-líder: o Atlético-GO recebe o Novorizontino, que tem 61 pontos, no sábado (24), às 16h30, no Estádio Antônio Accioly, em Goiânia, pela 35ª rodada. Depois, o time visita o Fortaleza, quarto colocado. Pela nota, os jogadores seguem sem atender a imprensa enquanto os débitos não forem quitados.
Informações de Diário de Goiás, Terra, O Hoje e Mais Goiás.